Mais uma caminhada da MAFA GastandoSola, a primeira internacional, por terras de “nuestros hermanos”. Saimos a 16 de maio da sede, o pavilhão satélite do CHVNG. A viagem foi longa, com alguns enganos e poucas paragens (uma obrigatória pela policia). Chegamos a Posada de Valdéon pelo fim da tarde já com chuva e nevoeiro. Ficamos instalados em 2 cabanas no Centro de Turismo Rural Picos de Europa. Jantamos no centro da vila, um menu por 10 euros. Já de noite chegaram os restantes elementos. Uma tentativa de jantar aquela hora revelou-se impossível dado o adiantar do relógio. Aproveita-mos para decidir os percursos a realizar, as hipoteses eram muitas mas realizaram-se cedências em prol do beneficio do grupo.
Mochilas preparadas, um sono reparador, pós magicos, um pequeno almoço e estava pronto o primeiro grupo para partir para um percurso de 9 Km, de Posada de Valdeon até Caín. Eram 7 da manhã. O segundo grupo sairia mais tarde e de automovel até Caín. O percurso até Caín é sempre a descer e as 3 horas de referência do percurso e que se encontram numa placa informativa em Posada de Valdeon parecem-nos demasiado, mesmo para alguém com pouca experiência, pelo que o realizamos em 1:45.
Após a chegada dos dois grupos a Caín e depois de uma pequena paragem demos início à Ruta del Cares, trajecto de Caín a Poncebos, 3 horas de percurso, 12km e um declive médio de curta duração antes da descida final. Desde logo o Ricky e a Raquel deram a sola e o restante grupo ficou para trás. Passamos por uma pequena barragem e depois começam os tuneis escavados na rocha. Depois disto simplesmente paisagens de cortar a respiração. Depois de grande parte do percurso não ter apresentado declives, inicia-se uma subida curta com algum declive que resultou em insultos ao organizador. No topo da subida (collaos) fizemos uma paragem para recuperar forças. Apenas a Bárbara continuou sem parar. Depois segue-se a descida para Poncebos. Um fenómeno natural que nos acompanhou toda a viagem foram as pedras que “mexem” (vulgo vertigens), um fenómeno que ocorreu apenas na mente da Isabel. Finalmente chegámos a Poncebos.
Em poncebos fomos almoçar, mais um “menu”, o qual não esqueceremos…De 1º prato tinha-mos uns legumes cozidos, o aspecto não era atraente mas lá fizemos o esforço. O Ricky que nunca tinha fome, ficou-se só pelo 2º prato. Resultado: pagou mais 50 cêntimos, o que resultou numa acesa discussão com a dona da casa. Que absurdo! Depois deste episódio caricato, e porque a chuva tinha-se instalado torrencialmente, fomos todos de funicular de Poncebos até Bulnes. 10 minutos de subida dentro de um tunel. Saídos do funicular a chuva continuava, desta vez menos acentuada. Toca a sacar da mochilas os “ponchos”. O caminho até a aldeia era curto e brindou-nos com uma vista deslumbrante. Fizemos o “check-in” na Casa del Chiflon, uma casa rural muito acolhedora, paralela ao rio. Paty e Bárbara ficaram alojadas em Bulnes de Cima, no El Caleyon, em Bulnes de cima, mais 10 minutos a subir, e que subida!
Depois de pousar as mochilas, a MAFA GastandoSola aventurou-se um pouco mais, pretendendo subir até refugio de la Terenosa no collado de Pandébano. A Isa e a Ale ficaram pelos primeiros 50 metros, motivo pelo qual não há fotos… Os restantes elementos foram ficando para trás e descendo em grupos de dois ou três. Seguiam a frente o Ricardo e a Barbara seguidos pela Costa, Patricia e Nunes. Devido ao mau estado do piso o Ricardo acabou por subir sózinho mais 500m que o restante grupo, tendo cedido à vontade da maioria de voltar a Bulnes. Aproveitamos para disfrutar da pacata aldeia, já com a presença do sol.
Depois de um duche, fomos jantar. Reserva-mos mesa entre os 2 restaurantes possíveis. A seguir fomos tratar das mazelas e aquecer o corpo. A conversa estava boa mas a Paty e a Bárbara tinham uma encosta para subir. Era um caminho no meio do mato, a única luz era a do luar e da lanterna da Costa. Estávamos todos já nos vales dos lençóis quando nos batem à porta… Quem seria? Paty e Bárbara. Pelo caminho encontraram uma mula e um cavalo branco?! Tentaram arranjar reforços, mas ninguém se voluntariou. Segunda tentativa, agora com um pau. Mais uma vez tiveram companhia. Regressaram. Depois de muitos apelos, Ricky e Costa escoltaram as raparigas até ao destino. Sugestão da costa: música tradicional portuguesa, de modo a assustar os animais. Entretanto a Isa e a Ale ficaram no fundo da aldeia, caso algo corresse mal, pensariam que se ouviria alguma coisa… Sim sim… A adrenalina baixou, o frio começou a apertar e regressaram à base. Pouco depois chegaram, Ricky e Costa, são e salvos. Fizeram sinais de luzes, eles com a lanterna e elas com a luz do quarto já que rede em Bulnes era quase inexistente!
Depois de uma noite bem dormida, houve a quem custasse “abrir a pestana”. Mas valia a pena o esforço, lá fora esperava-nos um pequeno almoço, qual hotél 5 estrelas consegue um cenário semelhante…Tratamos novamente das mazelas e fizemos as malas. E lá regressamos, nem todos com a mesma vontade. Ainda havia tempo para as últimas fotos em Bulnes.
Chegados ao Funicular, Costa e Ricky, decidiram fazer o percurso a pé, de Bulnes a Poncebos. Em Poncebos, Raquel, Ale, Nunas e Isa puseram-se em marcha mal chegaram. Paty e Bárbara esperaram pela Costa e Ricky (levaram as mochilas destes no funicular). Agora a ruta del Cares era a subir. Houve quem precissasse de ajuda com a mochila (Valente Nunas). Superada a subida, os elementos de cada grupo permaneceram juntos até ao fim. Enquanto o grupo mais dianteiro, passava o tempo inventando músicas (em breve letras e vídeos disponíveis no blog), o outro grupo entretinha-se brincando com a natureza. No restante do percurso a natureza comandou os nossos passos. Em Caín, houve tempo para comprar uns “recuerdos”, comer qualquer coisa e esperar pelo táxi (carro do Ricky), que nos levou até Posada. Aí bebemos alguma coisa quente e todo o grupo juntou-se para ouvir o reportário musical do MAFA GastandoSola. E com as montanhas ainda com neve, despedimo-nos dos Picos da Europa e da Raquel.
A restante viagem foi bem divertida, entre jogos de palavras, adivinhas, provérbios, com a ajuda de walkie talkies! Recomenda-se. E assim terminou a caminhada aos Picos da Europa, a primeira de muitas (como disse o Ricky: “Seguro que volveremos”). Aos “estreantes” do MAFA sejam bem vindos, aos “veteranos” continuem com muita garra e MUITO OBRIGADA a todos os colegas que asseguraram os nossos turnos. CUMPRIMENTOS MAFAOSOS
Finalmente estão disponíveis para todo mundo, as letras e vídeos do repertório do MAFA Gastandosola durante a caminhada aos Picos da Europa. As músicas são grandes êxitos mundiais e as letras foram adaptadas a acontecimentos reais que ocorreram nesta aventura. Esperamos em breve destornar o “Avô Cantigas” no Top Nacional e iniciar a digressão internacional.